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Modelos de Ensino: Empirismo, Inatismo e Construtivismo

Muito se vem questionando sobre os problemas educacionais da atualidade, como a falta de interesse dos alunos e as dificuldades de aprendizado. Juntamente a esses questionamentos, alguns modelos de ensino surgem, cada qual com sua característica própria, buscando compreender o processo de ensino-aprendizagem. Entre eles temos: o Inatismo, o Empirismo e o Construtivismo.

Modelo Clássico de Educação

Por mais que possa haver problemas nesses modelos de ensino, todos, aparentemente, surgiram como uma possível solução ao sistema arcaico ao qual se baseava o modelo clássico de educação, também conhecido de “modelo cafézinho”, no qual partia-se do pressuposto de que a informação era transmitida de professor para aluno (da mesma maneira que um garçom serve um café para um cliente).

Nesse sistema, infelizmente ainda enraizado em alguns professores, esquece-se, de acordo com Carraher (1986) a “importância de estimular o raciocínio, o pensamento ativo, a reflexão e a descoberta pelo aluno” (p. 15), lembrando-se, tão somente da “transmissão” do conteúdo. Dessa forma, se um aluno não aprendeu, foi por algum problema dele, e não do professor, ou do método de ensino, fazendo com que fossem diagnosticadas muitas “deficiências” cognitivas em crianças as quais a psicologia e a neurologia diagnosticariam, mais adiante, como saudáveis.

Empirismo

Sinteticamente, podemos dividir os novos modelos de ensino em três. O primeiro deles, o Empirismo, parte do princípio de que o homem é uma tabula rasa, um ser absolutamente passivo, uma folha em branco, e o professor, no caso, representa a transmissão do conhecimento e do saber. Ou seja, o aluno, nada sabendo, só consegue “adquirir” conhecimento através de aulas ministradas pelos mestres.

Representantes do Empirismo: Locke, Hume, Pavlov, Skinner e Mager.

Inatismo

De acordo com as teorias do Inatismo, o segundo dos modelos, os seres já nascem sabendo tudo, entretanto, esse conhecimento está em estado latente, cabendo ao professor, tão somente, retirá-lo dos alunos, estimulando uma liberdade sem limites para que estes se desenvolvam.

Um conhecido colégio inglês denominado A.S. Neill’s Summerhill tem os fundamentos baseados no inatismo, seu fundador, A.S. Neill, escreveu um interessante livro que contém os fundamentos desse modelo, cujo nome é “Liberdade sem medo (summerhill)”, vale a pena ler.

Construtivismo

Já no modelo Construtivista de ensino, baseado nos fundamentos teórico-metodológicos de Piaget e Vigotsky, procura-se entender o ensino como uma relação dialética entre sujeito e objeto, ou seja, já não se pode separar o processo de ensino do processo de aprendizado, ambos se dão em conjunto. Assim, só é possível ensinar quando há alguém aprendendo.

Nessa perspectiva, considera-se o ser humano como sendo um sujeito que já tem alguma coisa consigo, todas as crianças sabem coisas, e esse conhecimento prévio deve ser aproveitado no processo de ensino-aprendizagem (termo que reflete essa posição construtivista).

Nesse contexto, a função do educador é de “criar as condições para que o aluno possa exercer a sua ação de aprender” (WEISZ, 2002, p. 23). O professor é um mediador entre o conhecimento (objeto) e o aluno (sujeito), favorecendo a relação dialética entre ambos.

Contribuindo significativamente para as bases teórico-metodológicas do Construtivismo, Jean Piaget, biólogo, filósofo, psicólogo e epistemólogo (mas não pedagogo, propriamente), ficou bastante conhecido entre os educadores por seus estudos na área da inteligência humana e do processo de construção do conhecimento.

Parte-se do princípio de que o processo de aprendizagem é uma construção pessoal, resultante de experiências vividas sob a forma de um processo complexo e multifacetado. Assim, o que se ensina, na maioria das vezes, é diferente daquilo que se aprende, já que, como dissemos anteriormente, a criança já traz algo consigo, fazendo com que apreenda o mundo com “as estruturas de pensamento que (…) já possui” (VASCONCELOS, 2010. p. 72).

Contribuindo com as idéias de Piaget, sem ao menos conhecê-lo, o psicólogo bielo-russo, Vigotsky, muito contribuiu para o processo de ensino-aprendizagem da visão construtivista, introduzindo o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, cuja definição seria a distância entre o Nível De Desenvolvimento Potencial (o que pode ser realizado com a ajuda de alguém mais experiente) e o Nível De Desenvolvimento Real (aquilo que pode ser executado sem o auxílio de outra pessoa).

Com isso, caberia ao professor o papel de provocar os “avanços que não ocorreriam espontaneamente” (OLIVEIRA, 1995. p 62), estimulando o desenvolvimento de seu “tutelado”.

Com essas visões construtivistas do processo de ensino-aprendizagem, a sala de aula toma outra forma, fazendo com que os alunos tenham melhores relações com o conhecimento, uma vez que desenvolvem capacidade de “estabelecer relações inteligentes entre os dados, as informações e os conhecimentos já construídos” (WEISZ, 2002. p.36).

O professor deve despertar no aluno, pois, a vontade de descobrir coisas novas, trabalhando como importante mediador entre o conhecimento e o sujeito, de modo a tentar apagar os obsoletos métodos do sistema clássico de ensino.

Referências bibliográficas

  • CARRAHER, T.N. Aprender Pensando, São Paulo: Vozes, 1986.
  • OLIVEIRA, M.K. Vygotsky – aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico, São Paulo: Scipione, 1995.
  • VASCONCELOS, M.S. “O Caminho Cognitivo do Conhecimento” In WANJNSZTEIJ et al. Desenvolvimento Cognitivo e a Aprendizagem Escolar. Curitiba: Editora Melo, 2010.
  • WEISZ, T. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Ática, 2002.
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13 comentários em “Modelos de Ensino: Empirismo, Inatismo e Construtivismo

  1. Simplesmente fantástico, sou meio a favor dos tres, tem como? hsuahsuahsa

    Na verdade adimiro muito o Construtivismo, acho muito valida a ideia de construção do conhecimento com elementos de ambas as partes.

    Parabéns, muito boa a postagem.

    • Hehe! É verdade, eu também vejo elementos importantes nesses três modelos… o importante mesmo é conhecer essas teorias e selecionar o que elas têm de melhor (nunca esquecendo de analisar as particularidades de cada escola e as individualidades de cada aluno, não é?!)
      Obrigado pela visita!

      • Com certeza, devemos analisar e aplicar o que for melhor para a situação, o estudo nos proporciona a oportunidade de saber como e qual melhor forma de aplicar, é de extrema importante que os profissionais da educação jamais parem de se aprimorar.

  2. Ótimo, post! Dá uma visão inicial de cada teroia! Eu sempre procuro por isso em minhas pesquisas no google. Post assim são fundamentais para dar um start no conhecimento sobre um novo tema. Só senti falta do contrucionismo que é tem muito de sua fonte no construtivismo e no instrucionismo. O construcionismo é totalmente voltado ao aprendizado por meio tecnológicos!

    Grande abraço, Ivan!

    Você usa google talk?

    • Bom saber que o post pode ajudar alguém!! Para falar a verdade quando escrevi esse texto não tinha fundamentação teórica para falar sobre o construcionismo… (e ainda não tenho, rsrs). Vou pesquisar mais sobre, fazer uma pesquisa bibliográfica e assim que me sentir mais seguro posto alguma coisa interessante… Obrigado pela dica!!

      Algumas vezes eu uso o Gtalk sim, depois eu te adiciono lá. Abraços!

    • Olá, Lourdes!
      Não somos especialistas nas teorias de aprendizagem, mas podemos dizer que falar de um Inatismo Piagetiano seria uma leitura superficial dos trabalhos desse importante pesquisador. Acredito que seria mais acertado falarmos de um Inatismo de Platão…
      Vejo que este post merece uma atualização, assim que possível vou fazê-la!

  3. FOI A MELHOR DEFINIÇÃO QUE ENCONTREI ATÉ AGORA.PARABÉNS.
    ME AJUDOU MUITO NA COMPREENÇÃO E RESOLUÇÃO DO MEU TRABALHO.

  4. Vejo que o grande desafio é a mudança do modelo mental da instituição. Que também tem dificuldade de se adaptar as mudanças.

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