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A Industria Cultural na Educação

MídiaImpressões iniciais

Quando o assunto é educação, não é possível considerar os educandos da atualidade, sejam eles crianças, jovens ou adultos, tais como eram considerados no passado. Por muito tempo, a cultura de massas desempenhou o importante papel de definidor de personalidades individuais. Hoje, porém, em contraposição à cultura de massas, a Indústria Cultural faz-se forte, principalmente na (de)formação de crianças e jovens.

Em oposição ao termo cultura de massa, os sociólogos Adorno e Horkheimer propuseram, no livro Dialektik der Aufklärung, o termo Indústria Cultural, negando o fato de que seria uma cultura surgida das massas, espontaneamente. Mas sim, seria algo produzido para ser consumido, orientando-se segundo sua comercialização.

Nesse sentido, a arte pela arte, pela espontaneidade deixa de existir, dando lugar para a produção industrial. Os filmes norteamericanos são um forte exemplo da produção da Indústria Cultural. Além de servirem, basicamente, para a globalização de um estilo de vida específico, o famoso american way of life, não estimulam a atividade pensante, reflexiva.

De acordo com Theodor W. Adorno, em seu texto “A indústria Cultural”, os produtores americanos, ao fazerem referência a suas produções cinematográficas, afirmam que estas “devem dar conta do nível intelectual de uma criança de onze anos” (in: COHN, p.98), ou seja, não há necessidade de um grande esforço intelectual para assistir a esses filmes.

Contribuindo para essas interpretações a respeito das produções culturais, a introdução e a consolidação dos meios digitais (como o televisivo) em oposição aos analógicos, permite aos usuários que não sejam apenas espectadores, mas sim consumidores. O programa televisivo, por exemplo, tem a possibilidade de se tornar um programa de vendas, ou seja, através da interatividade entre o televisor e a internet, seria possível comprar as mercadorias exibidas, como os brincos da heroína do filme de ação, a camisa do galã da novela das oito ou o pacote turístico que compreende as cenas de determinado episódio da série favorita.

Indústria Cultural 2Podemos afirmar, ainda, que a Indústria Cultural não produz informação consciente, mas sim, oferece esquemas pré-fabricados de visão de mundo, garantido uma difusão silenciosa e eficaz de seus produtos. Dessa forma, as ideias resultantes dessa produção comercial/cultural, penetrando nos arquivos psíquicos dos seres em constante formação, transformam seus hábitos, tornando-os constantes consumidores.

Nesse contexto, as crianças e os adolescentes, recebendo constantemente os apelos dos produtos da Indústria Cultural, por meio das músicas e dos filmes, têm seus hábitos modificados. E essa modificação não ocorre de fora para dentro, ou seja, o jovem não assiste a um filme e decide conscientemente adotar determinados hábitos. Essa modificação ocorre de forma sutil, de dentro para fora.

Com isso, a criança, desde tenra idade, é estimulada pela mídia para se tornar um consumidor, de modo que tudo a seu redor seja visto como mercadoria. Quando chega na idade escolar, as relações que estabelece com seus professores refletem essa mentalidade consumista. A escolarização é confundida com o consumo.

Infelizmente, alguns professores, já “contaminados” pela ideologia da Indústria Cultural, contribuindo para a deformação do processo de ensino-aprendizagem, consideram-se como meros prestadores de serviço, enxergando seus alunos, tão somente, como seus clientes. Nesse cenário, a qualidade de ensino é mensurada “pelos resultados que o negócio alcança” (GRUSCHKA, A. In. A Indústria Cultural Hoje. p. 176), quanto mais alunos estiverem matriculados, maior o investimento, logo, mais bem visto será o ensino.

Obviamente, essa visão dos processos mais íntimos referentes ao trato pedagógico pode (e deve) ser questionada. Muitos estudiosos das áreas da educação e da psicologia se dedicam a essa análise, muito contribuindo para a melhora das relações entre educadores e educandos.

Sugestões de Leitura:

  • COHN, G. (org.) Theodor W. Adorno. São Paulo. Ática, 1986
  • DURÃO, F.A., ZUIN, A.A.S., VAZ, A.F. (orgs.) A indústria Cultural hoje. São Paulo. Boitempo Editorial, 2008
  • SABÓIA, P.T. Dilemas da desconstrução – a educação crítica diante dos apelos de consumo da indústria cultural: entre questionar a lógica e subtrair o que se gosta sob o capitalismo tardio. São Paulo. FEUSP, 2008
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Um comentário em “A Industria Cultural na Educação

  1. Ivan,
    Adorei o blog! Ficou organizado e bastante focado também! Parabéns!
    Quanto ao post, uma observação: tenho preferido os filmes franceses hoje em dia. Já que os americanos tem tido sua produção da indústria cultural voltada aos fins excessivamente mercadológicos, produzindo muitas vezes materiais fracos, com conteúdo nada-a-acrescentar…

    Enfim,
    adorei ter passado por aqui!

    Um grande beijo!
    Sucesso!

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