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Escola, Professores e Alunos: unindo forças para lidar com o desafio da indisciplina e da não aprendizagem

Vivemos, de acordo com COLELLO (2010, p. 241), uma mudança de época, o que não significa, necessariamente, uma época de mudanças. Consequentemente, essas mudanças perpassam o ambiente escolar, fazendo com que se intensifiquem alguns problemas como a indisciplina e a não aprendizagem. Nesse contexto, o papel da escola, do professor e do aluno é constantemente questionado.

Enquanto para alguns a escola está “a serviço da apropriação (…) dos conhecimentos acumulados pela humanidade” (AQUINO, 1996, p. 41), para outros ela apresenta, primordialmente, uma visão socializante, na qual o sujeito se prepararia para o contato com a sociedade. Alguns, ainda, consideram a instituição escolar sob o prisma profissionalizante, ou seja, ela serviria, tão somente, para a qualificação profissional.

Caminhando adiante no repensar a escola, PERRENOUD (2000, p. 19) atribui à escola o papel fundamental de oferecer ferramentas ao aluno, para que este seja capaz de dominar a vida e compreender o mundo no qual vive.

Todavia, independentemente da posição adotada, é inegável o fato de que esta instituição teve (ou pelo menos deveria ter tido) sensíveis mudanças nos últimos anos, seja em sua estrutura organizacional, seja nas suas relações humanas. Atrevemo-nos a afirmar, ainda, ser inadmissível que a escola permaneça indiferente às contínuas mudanças presentes na sociedade atual.

Por outro lado, visceralmente vinculado ao ambiente escolar, o professor, importante elemento dessa tríade escola-professor-aluno, também tem seu papel questionado. Não é mais possível que seja sustentada aquela imagem de um professor o qual só se dirige a seus alunos para chamar atenção para bagunças, para dar ordens ou para alertá-los de suas reprovações (SALLES, 2000, p. 136), faz-se necessário que seja revisto o papel desse profissional, adequando-o à nova realidade.

É evidente que há inúmeros problemas presentes no ser professor, começando pela crescente desvalorização social dessa profissão (COLELLO, 2010, p. 242), resultando, entre outros fatores, em um salário em sensível desacordo com as funções exercidas; das frequentes dúvidas e incertezas em relação à ação em sala de aula (SALLES, 2000, p. 145) e da indisciplina presente no trato com os jovens.

Estes últimos, para completar a tríade, podem ser considerados o elemento mais importante, sem o qual o processo de ensino-aprendizado não faria sentido algum, afinal, o que seriam das escolas e dos professores se não houvessem alunos?

É evidente que a criança ou o adolescente de hoje não é o mesmo daquele de anos atrás. Também é notável o fato de que, fatores socioeconômicos influenciam consideravelmente nas diferenças entre esses jovens (SALLES, 2000, p. 133). Entretanto, o que os une, de certa forma, é o fato de não terem, ainda, um papel social definido (idem, p. 131), fazendo com que estejam em uma constante busca por ajustamento psíquico e social.

Considerando esses três elementos e seus contextos, começamos a compreender alguns dos problemas citados no início e diariamente presentes na realidade escolar: a indisciplina e a não aprendizagem.

Enquanto para SALLES (2000) a indisciplina é um ponto de desacordo entre professor e aluno, para AQUINO (1996, p. 48) a indisciplina é “sintoma de relações descontínuas e conflitantes sociais”. No cotidiano, esse fenômeno dá-se, tal como queixam-se os docentes, por meio da agressividade/rebeldia, da apatia/indiferença, do desrespeito/falta de limites. Exemplificando, são aqueles alunos, inclusive, os quais não atrapalham, mas ficam com o pensamento longe, sem fazer nada, tal como consta no depoimento contido na tese de CORRÊA (2006, p. 81), no qual o aluno diz “Ela [a professora] fala, fala e eu finjo que não ouço”.

Como resultado da observação e dos estudos acadêmicos, podemos associar tanto a indisciplina, quanto a não aprendizagem, ainda, ao fato de a escola não ter “atrativos” (SALLES, 2000, p. 141), as atividades serem repetitivas e os alunos não enxergarem utilidade no que aprendem, ou seja, preocupamo-nos tanto com o conteúdo que nos esquecemos a ensinar aos nossos alunos a servirem-se desses saberes, tal como alerta PERRENOUD (2000).

É evidente, pois, que não devemos reduzir os problemas da educação brasileira em um único fator, muito menos nos determos na busca por um culpado para a atual realidade nacional. O que podemos fazer, entretanto, é fortalecer o trabalho coletivo das instituições de ensino, considerando a educação como um ato político, sendo o acesso a ela uma demonstração de cidadania, ou seja, a educação não é de responsabilidade única e exclusiva da escola (AQUINO, 1996, p. 46), mas de todos aqueles que compõe a sociedade, como a família e o Estado.

Como educadores, mesmo enfrentando dificuldades de diversas ordens, temos outras tantas possibilidades de atuação na construção de um ensino melhor, principalmente em pequenas intervenções em sala de aula, procurando ir além do simples conteúdo, envolvendo os alunos, despertando neles o interesse por aprender. Assim, estaremos caminhando no sentido de conquistar um exercício profissional pleno de quem supera a tarefa de bem ensinar (COLELLO, 2010, p.246).

Referências bibliográficas / Sugestões de Leitura


  • SALLES, L.M.F. Desvelando a Escola: o adolescente, o professor do aluno adolescente e a indisciplina na escola. In: LEITE, SALLES e OLIVEIRA (orgs.) Educação, Psicologia e contemporaneidade – Novas formas de olhar a escola, Taubaté: Cabral, 2000

  • AQUINO, J.G. A desordem na relação professor-aluno: indisciplina, moralidade e conhecimento In: AQUINO (org.) Indisciplina na escola – Alternativas Teóricas e Práticas, São Paulo: Summus, 1996

  • PERRENOUD, P. Construir competências é virar as costas aos saberes? In: Pátio ano 3 nº 11 nov. 1999/jan. 2000

  • CORRÊA, S.A.V. O caso Beta – você me procura e eu me escondo In: Caminhos e descaminhos do aprender: a importância da palavra do professor. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista, 2006

  • COLELLO, S.M.G. Para onde vai a profissão docente? In: Revista Iberoamericana de educação, nº 52, Madri: Caeu/OEI jan-abril, 2010

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